No
filme “O QUARTO PODER” o autor desenvolve a temática da força da mídia, deixando
implícita a habilidade em direcionar os acontecimentos. Manipulando as relações
dos indivíduos e das massas, suas opiniões, ações e reações, ao ponto de criar
situações extremas, tendo como justificativa o querer, neste caso, dos
jornalistas.
O
que nos leva a questionar que o nome dado ao filme enfatiza a existência de um
quarto poder. Dando a mídia status, fazendo-nos
compara-la a outros poderes instituídos, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário. Com plenos poderes de reger, de contestar, de direcionar, de
julgar, de mandar, de manipular etc. como aconteceu e acontece ainda hoje. Não
nos esquecendo de estar atentos para o fato de que toda regra tem exceção.
O
filme trás a história de um vigilante, que é despedido por sua empregadora por
causa da necessidade de conter despesas, e que na tentativa de reaver seu
emprego, questiona sua ex-patroa, e não encontrando condições favoráveis ao
retorno, ele se revolta e faz refém o museu e as pessoas que estavam lá dentro.
Dentro
do museu, além, do vigilante Sam Baily, da senhora Banks a empregadora e dona,
encontravam-se várias crianças, a professora e guia, Max Brackentt, jornalista presente
no local com a incumbência de fazer uma reportagem para pequena emissora onde
trabalha, e do lado de fora outro vigilante.
Max
que foi destituído do cargo de uma grande rede de televisão há algum tempo, tem
pretensões de voltar novamente ao topo. No desenrolar dos fatos, vê a
oportunidade de um grande furo de notícia, e a possibilidade de seu retorno ao
sucesso, quando Sam acidentalmente atira em outro vigilante.
Passa a manipular as ações e reações de Sam,
chegando ao ponto de se fazer intermediador nas relações entre as forças
policiais, e o vigilante. Vedando aos outros jornalistas a oportunidade de
relatar os fatos, torna-se assim, o jornalista exclusivo, e o único a estar a
par dos acontecimentos reais.
A
princípio a Emissora, na figura de seu diretor, acha perigosa à jogada do
jornalista e tenta dissuadi-lo a desistir, por questões éticas, vindo a
concordar mais tarde.
O
jornalista passa a transmitir imagens ao vivo de dentro do museu. Sam, induzido
por Max faz exigências, a princípio, alimentos e melhorias para os que se
encontram retidos. Depois essas exigências aumentam e tornam-se mais sérias.
Com
as transmissões, as outras emissoras tentam de todas as maneiras fazer parte
dos acontecimentos. E a grande emissora onde Max trabalhou se interessa
novamente por ele, e o busca de volta. Ikevin Hollander, o jornalista ancora e
pivô de sua demissão, reconhecendo a jogada de Max, tenta mudar o rumo dos
fatos. Utilizando-se da ambição da assistente de Max, toma conhecimento de
dados importantes, e passa por sua vez a manipular os fatos.
Max,
não aceita a proposta de seus opositores, e continua manipulando Sam, mas, ao
perceber que a interferência de Ikevin poderá desencadear uma tragédia, tenta parar
e modificar a disposição do vigilante. Que após várias horas insones e sobre
efeito de remédios, não consegue entender as colocações de Max, rompe o elo de
confiança, e se descontrola totalmente vindo a se suicidar.
Max
se entristece ao perceber ser responsável pelo trágico fim do vigilante. Se
arrependendo tarde de ter usado o poder da mídia.
Olhando
para os acontecimentos, os da ficção, apresentados no filme e os reais do nosso
país, que segundo o Documentário Muito Além do Cidadão Kane, onde a mídia da
Rede Globo de Televisão manipulou e manipula opiniões, através de sua
programação, maquiando notícias, simulando acontecimentos, direcionando
pesquisa a favorecer candidatos às eleições, em nome das tendências políticas e
ideais de seu dono e diretores, percebemos que podemos traçar um paralelo.
E
verdadeiramente, percebemos pouco, sobre a realidade dos acontecimentos em
nosso país, e isso tudo faz com que analisemos estes acontecimentos por outro
ângulo, que questionemos os fatos. E, chegamos à conclusão que tudo o que
achávamos ser real, pode ser resultado de manipulações.